SOLANO TRINDADE







EMBU - SÃO PAULO - BRASIL




Poeta, pintor, teatrólogo e folclorista.

Fundou em 1959, no Rio de Janeiro, o Teatro Popular Brasileiro.

Em 1961 Solano Trindade, mudou-se para Embu com seu grupo
folclórico composto por 30 pessoas. Seu movimento pretendia
popularizar a arte.

As festas promovidas pelo grupo, com danças afro-brasileiras e
exposiçoes de arte, começaram a chamar a atençao da intelectualidade
paulista, que passou a freqüentar a cidade.

Junto com Assis do Embu, Sakai e outros artistas da época na final dos
anos 60s, criaram a Feira das Artes de Embu, que fez a fama da cidade e
continua até hoje trazendo visitantes do mundo inteiro.

Obras : livros - “Poemas negros” (1936); “Poemas de uma Vida Simples”
(1944); “Seis Tempos de Poesia” (1960); “Cantares ao meu Povo” (1962).

Solano Trindade (viveu de: 24/07/1908 a 20/02/1974).


CONGO MEU CONGO


Pingo de chuva,
Que pinga,
Que pinga,
Pinga de leve
No meu coração.
Pingo de chuva,
Tu lembras a canção,
Que um preto cansado,
Cantou para mim,
Pingo de chuva,
A canção é assim.
Congo meu congo
Aonde nasci
Jamais voltarei
Disto bem sei
Congo meu congo
Aonde nasci...


O CANTO DA LIBERDADE


Ouço um novo canto,
Que sai da boca,
de todas as raças,
Com infinidade de ritmos...
Canto que faz dançar,
Todos os corpos,
De formas,
E coloridos diferentes...
Canto que faz vibrar,
Todas as almas,
De crenças,
E idealismos desiguais...
É o canto da liberdade,
Que está penetrando,
Em todos os ouvidos...


NEM SÓ DE POESIA VIVE O POETA


Nem só de poesia vive o poeta
há o "fim do mês"
o agasalho
a farmácia
a pinga
o tempo ruim, com chuva
alguém nos olhando
Policialescamente
De vez em quando
Um pouco de poesia
Uma conta atrasada
Um cobrador exigente
Um trabalho mal pago
Uma fome
Um discurso à moda Ruy
E às vezes uma mulher fazendo carinho
Hoje a lua não é mais dos poetas
Hoje a lua é dos astronautas