EMERSON SANTANA







EMBU - SÃO PAULO - BRASIL




TEU OLHAR


Teu olhar:
esfera sol bola botão
de roupa rica
... Brilhará:
espelho foz cala-me a voz
brilha a pepita Captar canções por onde for
que o amor também é foz
e exala uma valsa antiga e linda
Uma vez o sexo
sempre ele quarto adentro
Essa coisa de momento
entre o côncavo e o convexo
Beleza tem que pôr na mesa sim
O resto... é só ceia
Seria sereia será pra mim
mais vinho que videira
Teu olhar me inundou
e amanhã eu tramparia
Tua mão me acorrentou
Já nem vou pra Costa Rica!
A tela da lua do lado Ilê
Ayê vai quem fica
no vício dessa droga de paixão
que a gente... acredita


Emerson Santana, é hoje um dos grandes nomes da poesia em Embu das Artes, desde a adolescência despertou o seu interesse pelas palavras, e num esquema de versos simples e complexos desenvolve um texto inspirado, criativo e inteligente.


Recebeu sua primeira premiação em S. Caetano do Sul / SP em 1994, e em 1995 lançou pela ED Scortecci, o livro COIOTE Parafernália do Ser. Neste livro Emerson é o poeta que constrói sua obra a base de versos e o coiote que uiva sobre a montanha gritando ao mundo que tem seu espaço e o domina.


Emerson é atuante nas manifestações artísticas de Embu, com ênfase na literatura e teatro, participando de saraus e eventos onde mostra sua arte original e encantadora. Sem dúvida alguma um personagem que escreve sua história onde Embu das Artes é o cenário e ele uma parte essencial.


poetasantana7@gmail.com




APELO AOS ÓRGÃOS DE MIM TRUPE


Avançai, pequena trupe,
no que possas adentrar
em cômica artilharia
em prol dos risos pelo ar.
Adentrai também nas dores,
doces dores com seu drama,
misturai asfalto e lama,
anonimato e fama
em teu pequeno universo
de embaralhar os versos
e algo novo demonstrar.
Adentrai pequena "trupe
de meus órgãos": o de ouvir,
o de ver e o de falar.
Só depois arfar os cheiros:
os suores, os perfumes
ante o teu pequeno palco
que é o que há por onde estás.
Ah, não me esqueçais do tato....
Pequena trupe de mim corpo:
aprendar a ostentar o brio
para além do que há de mofo.
Cante e solte um assobio.
Encontre em meio ao público
o que se faz reluzente
e o que se degrada em bio.
Tente tornar-se presente
mesmo quando por um lado,
te detenhas rebuscando
nobres dores do passado
e as que se cristalizaram
nos jerúndios indo e ando,
endo e, por dentro em fado,
o que for ismo e o que for ado
e, noutro plano, o que for dade.

Transformai todo racismo
em racionalidade.
Homossexualismo
em homossexualidade.
Contemporaneísmo
em contemporaniedade.

Se ismo for diagnóstico
o que for dade.. ser verdade.

NOS  PRATOS  DE  COMIDA


E hei de escrever aos desocupados
- sobrecenhos torrados das testas franzidas;
Hei de escrever aos suicidas
sem bilhete nem recado;
aos da calçada fervendo;
30 de carne, 30 de tecido
e 30% de poluição.
E hei de escrever um poema abstrato
(de concreto jaz! na vida);
Nem bem um poema coitado,
nem mal um poema ativista.

Que a vista na testa franzida
é o sol caloroso, é a ferida,
é o vácuo que a fome procria.

E, se for a chuva, é a arredia
da chuva escorregadia
lavando a ferida na via.

Não esse, mas hei
de escrevê-lo nos pratos...

nos pratos de comida.