JALDO JONES







EMBU DAS ARTES - SÃO PAULO - BRASIL




Jaldo Jones foi escultor, ator e luthier. Esculpia geralmente em madeira, obras de tamanhos variados.
Preocupado com a valorização do artista embuense, travava uma batalha quixotesca contra as galerias
paulistanas que relutavam em aceitar trabalhos de artistas da cidade.
Fazia e consertava instrumentos de cordas, violas e violões, vestia-se de caipira e andava pela cidade,
mostrando-se como ator, se divertindo e divertindo quem encontrava em sua Embu, que graças a ele
e outros, já era a Embu das Artes. Já era a Embu de Jaldo Jones
Por iniciativa de alguns artistas da cidade há uma sala com seu nome no CENTRO CULTURAL MESTRE ASSIS DE EMBU.










































Jaldo veio para Embu das Artes no final da década de 60 e atuou em todas as modalidades
de arte popular. Foi musico, cantor, escultor, pintor, compositor e até a encarnação de um caipira o NHÔ BELARDO. Muitos o consideravam maluco e esquisito, todavia Jaldo, um homem simples, refletia em seu falar algumas lições de vida e sua obstinação em se tornar um artista reconhecido. Desde criança sonhei em construir um mundo melhor para viver, mas diante do que fui vendo e aprendendo, notei que havia muitas intervenções, mesmo assim continuei lutando. Quando criança eu já fazia meus próprios brinquedos artesanais. moinho de fubá, monjolinhos, rodas d’água, serrarias em miniaturas, aviãozinho, caminhozinhos, automóveis, pipas, finca-finca e muitos outros tipos de brinquedos, pois não havia na época esses brinquedos de plásticos e nem meu pai poderia me comprar. Então eu já era um iniciante na arte do artesanato, assim sem ter noção do que era arte e do que não era. Sempre gostei de musica, e meu desejo foi ter um mundo alegre, baseando que a gente na face terrena tem um espaço e este espaço pode ser ocupado com som, com amor, com arte, com alegria, com a vibração, com a pintura, com a escultura e muitas coisas. Achei que a arte era um ambiente onde eu poderia transmitir a comunicação do meu mundo. Estudei um pouco de balé, um pouco de cinema por correspondência, um pouco de musica e assim fui lutando e trabalhando também. Como eu era do interior, não tive grande estudo, praticamente sou analfabeto: Eu não tenho um ano de escola. Eu vim para Embu para expor no 1° Salão de Artes, fui impedido, então fui cantar num restaurante ( Princesa de Embu). Depois me mudei para cá e fui trabalhar de pedreiro, uma das minhas profissões de vinte anos. Eu já trabalhei em lavoura, em fábrica de sabão, em máquina de arroz, remendando sacaria, em posto de gasolina, fui propagandista, vendi títulos, fui vendedor de cereais, ajudante de cozinha em restaurante, pintor e fui padeiro. Eu fiz tanta coisa na vida para sobreviver, só nunca fiz foi roubar, e outras coisas de baixo nível, mas aquilo que foi, com dignidade, que foi preciso fazer para sobreviver, eu fiz.

Em São Paulo trabalhei em circo, cantei em boate, estreei no CANAL 2, na RADIO SÃO PAULO eu fazia o programa “SERESTA VESPERTINA MUNDIAL” na RADIO COMETA fazia TAXI É NOTÍCIA, também tenho um pouquinho de experiência no cinema, trabalhei em dois filmes PORTO DOS HOMENS MAUS e FUGITIVOS DA SELVA. Na escultura achei facilidade, pois já trabalhei na fábrica de instrumentos, fui entalhador, fazia violinos e andei fazendo guitarras e violões. não sei se nasci para ser artista e não sei até onde vou, mas estou procurando comercializar minhas obras, isso é necessário. Hoje eu vejo que o artista está simplificado, caindo na dependência dos políticos, nosso lado é outro, nosso mundo é outro, e nós não viemos aqui com esse dom divino para deixar ser mandado. O artista não tem que ficar comprometido com as leis do governo, ele é livre no universo como a arte também é. então eu sou feliz a minha maneira. Nós temos um dom e uma missão a cumprir. Quero ver todos lá em cima, principalmente os que vivem da arte, se depender de mim ninguém vai para a lona. Eu sou casado, separado, amigado, viúvo, amigado de novo. viche, sou solteiro e sou avô. a musica é vibração e mágica e o instrumento um campo vibratório, e você pode ocupar seu espaço com musica, amor, poesia, perfume, boa vibração, as pessoas gostam de mim porque tem magia que tiro do instrumento, com essa magia fiz a composição LUAR DE EMBU.


O luar cai sobre Embu
veste a noite em um manto de prata,
chora o orvalho e a brisa suspira;
quando o luar cai sobre a mata;
tua fonte é um cenário divino;
o teu rio é um poema em cascatas;
a lagoa transporta o luar
ondulando em raios de prata;
crianças brincando nas ruas;
como é lindo Embu sem luar;
se o destino calar minha voz que hoje canta;
dou meu fim em presente ao luar...



Este belíssimo trecho é de uma entrevista dada por JALDO JONES ao amigo
WANDERLEY CIUFFI, publicada no jornal CIDADES DA SERRA
em dezembro de 1998,


e Wanderlei completa com o texto abaixo:


JALDO JONES morreu em sua casa no bairro Cercado Grande em Embu Das Artes
no dia 20 de novembro de 1998 e foi enterrado no dia seguinte no Cemitério do Rosário,
pobre e quase esquecido como a maioria dos artistas de Embu. Em seus últimos dias, alguns
amigos ( Ciro e Cristo) tentaram uma ajuda tardia.
Eu próprio tomei conhecimento atrasado de sua morte e nem fui ao seu enterro.
Terá que ser sempre assim? Em outros Centros Culturais, desde a idade média os artistas
pintaram murais e construíram esculturas em suas cidades, enriquecendo-as e as suas
histórias. Em EMBU, terra das artes, apenas recebem honrarias póstumas em salões
medíocres e algumas palavras em pequenos jornais que, de resto, nós mesmos escrevemos
e publicamos.
WANDERLEY CIUFFI